sábado, 4 de maio de 2013

A Ação Íntegra

   
Dois jovens monges foram incumbidos da edificação dos muros do seu templo shaolin. Um era responsável pelas laterais, leste e oeste, e o outro dos lados anterior e posterior. Cada um deles reuniu um grupo sob suas ordens, e começaram o trabalho. 
 Um deles usou uma massa de barro bem próximo do templo. Era essa uma massa simples, do conhecimento de todos, e seu uso nas edificações fragilizava-as a longo prazo. O outro, mais atencioso, fora buscar boa massa na entrada de uma cidade à várias léguas de seu templo. Em quatro semanas, os muros laterais que foram erguidos com massa simples estavam prontos. O monge fora elogiado pelos superiores. Já os outros lados, que estavam erguidos com boa massa, estavam ainda na metade, e o monge responsável caia no conceito dos superiores.
Vários anos se passaram, até que esse templo fora cercado pelo exército Manchu. Eles forçaram a entrada, e perceberam que as laterais estavam mais propensas a serem derrubadas. E foi por ali que entraram. E assim o templo foi rápido e totalmente destruído, pegando quase todos de surpresa. Restaram apenas os imponentes muros de frente e de trás. Todos os monges morreram, inclusive os filhos dos dois monges incumbidos de erguer os muros do templo. Todo o arquivo fora queimado, e os ensinamentos e história do templo foram destruídos junto com seus criadores.

Bem, essa história responde por si. Se o monge que ergueu os muros laterais também tivesse atentado para uma boa massa, ao invés de ceder à preguiça, provavelmente o templo não seria invadido, ou pelo menos poderia suportar mais tempo, dando chance à reação.


Ao ser incumbido de uma tarefa, execute-a com perfeição e atenção. Note que nem sempre isso significa mais complexidade. Uma ação mal-feita tem como vítimas muitas outras pessoas. O melhor, sempre, é se manter organizado. Uma mente organizada resulta em ações organizadoras. 

A higiene, a disciplina, a inteligência, o conhecimento específico são os elementos que constituem uma ação íntegra. O trabalho é dignificante. O trabalho duro e bem feito é dignificante, elogiável e recompensador...

domingo, 24 de março de 2013

Problemas da Linguagem no Ensino: Razões e Objetivos

 

 Temos dois problemas muito distintos que envolvem a linguagem: 

 

  O primeiro problema, e relativamente mais simples, é analisar o conteúdo filosófico aplicado, o uso dos termos e a didática das teorias: se são realmente assimiladas como deveriam, e, se não, se o problema é o método do docente, o entendimento do discente, ou, ainda a própria teoria. Teríamos nesse primeiro problema a escolta das teorias dos filósofos da educação e de Saussure, bom contribuinte à filosofia da linguagem, que propôs as ideias que mais tarde deram origem ao estruturalismo, posição que considera a língua como um sistema estruturado por relações formais e não evidentes para a consciência do falante, e que, metodologicamente, preconizam a observação do maior número de fatos, de modo a fundamentar proposições que, pela generalização rigorosa, possibilitem a descoberta da estrutura.
  O segundo problema é muito mais profundo, e envolve conceito, antropologia, semiótica e episteme. Trata-se da linguagem como símbolo, uma captura da nossa sinestesia frente ao fenômeno das coisas: são essas capturas parciais ou completas; corretas ou erradas? São construções naturais? Ou são “manipuladas” pela nossa bagagem empírica, limitadas pelos nossos conceitos políticos, éticos e morais, pela nossa predisposição, necessidade e/ou expectativa, e, ainda, será que esse conhecimento pode realmente ser comunicado, já que sua gênese já se mostrou tão burocrática, complicada? Ou seriam ainda coisas mais profundas que fogem à nossa lógica? Ou podem ser meras divagações complexas desnecessárias, que servem para mitificar o ensino de filosofia e tornar a filosofia um jogo de retórica imponentemente prolixa,heraclitianamenteobscura, como pede o âmago místico do homem?

  Eis um exemplo de simplificação em Popkin, usando a teoria de Locke, que evitava o ceticismo admitindo que poderíamos não ter qualquer real conhecimento além da intuição e da demonstração, mas que ninguém [...] duvidasse que o fogo é quente, que as rochas são sólidas, etc. (LOCKE apud POPKIN. A Companion to Epistemology. Oxford: Blackwell, 1997, p. 2)
A ideia de se analisar os fundamentos linguísticos na filosofia são justamente para se separar a disciplina dos mitos e enfim resolver uma forma de se transmitir a filosofia de forma eficiente e, porquê não, interessante e chamativa - do ponto de vista didático; lembrando-se que, se estamos a tratar do ensino médio (período onde as disciplinas tendem a despertar interesse muitas vezes não pelos seus dados complexos, mas pela sua capacidade de serem entendidas na vida prática dos aprendizes, e de possuírem uma forma de transmissão atual, clara, desafiadora ao intelecto) precisamos realmente dessa pedagogia.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O Primeiro Amaterasu: Aforismo



O conhecimento de qualquer coisa caminha a um aforismo.

 Quando se conhece o aforismo, chega-se a metáfora.
 Quando se desvela a metáfora, voilá: eis a essência - não-linguística, não-semiótica, não-lógica à nossa instância, não simbólica, e nem contraditória.
  Não-refutável, pois é o todo, e abriga em si todas as possibilidades de se contradizer as contradições e sintetizar as refutações como meras concepções semióticas, resultado de um jogo começado com peças erradas, num tabuleiro desconhecido.

   Só o aforismo já liberta a sede epistemológica. É um vetor que contém tudo sobre qualquer coisa, e fatalmente responde a tudo a que esse conhecimento corresponde.

O aforismo é o fogo Amaterasu das bibliotecas. É o temor do dogmático. É a lâmina que escarmenta Descartes, Sócrates e Platão - não por terem sido dogmáticos, mas por não terem chegado ao aforismo, e declarado conhecimento criminoso a respeito do tudo-nada.

 O aforismo é Amaterasu por destronar violentamente o pensamento lógico, e tornar cinzas uma história ricamente pobre, atraindo ódio dos pensadores e da própria história.

 O aforismo é apenas agraciado e aguardado pelo futuro. Aliás, na gênese temporal de nossa instância, a perspectiva amorosa do aforismo já era embrionária na metáfora, e essa na essência.

 Aforismo é Amaterasu, não por só ser fogo, mas por ser também luz. É a fênix de si próprio, e o guardião da sensatez. Quando se conhece aforismo, se tem o primeiro passo para a luz. Quando essa luz chega, toda a teoria torna-se vazia, e o conhecimento de algo torna-se absoluto e claro. Não se é mais necessário desgastar-se nos porões das literaturas.

Ainda, aforismo não é resposta. É caminho. O caminho que leva ao Tao, à verdadeira ataraxia e a sublimação do espírito caçador da verdade. E a verdade é uma só, não um 'infinitaenesimal' manuscrito téorico. É palavra de uma letra só, e permeia toda a constituição do cosmos.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Herdeiros da Filosofia


 Raríssimos são, nesse plano terreno atual, aqueles que nascem para a filosofia.

 Desses raros gênios, muitos têm preguiça de pensar.
   Outros descobrem o talento e morrem calados.


Dentre os poucos restantes, muitos são arrogantes, egocentristas e dogmáticos.
 Uma parcela dessas se salva, descobrindo o amor ativo do sistema, introduzindo-o ao modo de se pensar em algo genuíno e primordialmente humano.

 Dentre esses, alguns falam.
 E, entre esses, algum sobra, afinal, que produz algo de valor a cada temporada dos ciclos terrenos...

 ...mas, no final, nenhum deles é ouvido em tempo, e quando o é, quase nunca acontece da forma como se deveria...

Linguagem e sua Relação Filosófica e Científica Com o Conhecimento



É razoável pensar que a filosofia aplicada no meio social é um utilitarismo que compete aos domínios primordiais das ciências sociais, empiristas por natureza, mas, se assim o for, também podemos pensar que os fundamentos teóricos das transformações são genuinamente filosóficos, advindo da razão, apoiados pela pesquisa e organizadas em sistemas que, ora ou outra, direcionam-se à teleologia.
Filosoficamente, a linguagem impõe limites ao conhecimento, e, cientificamente, a linguagem é ferramenta de comunicação primordial ao homem político. Mas hão possibilidades de semiose na ciência, gerando, até mesmo em confronto com a Teoria do Caos, uma sensação de incapacidade intelectiva plena. Como mesmo os resultados científicos, e até seus métodos, poderiam estar encharcados de concepções semióticas errôneas: na Teoria do Caos são analisados o funcionamento de sistemas complexos e dinâmicos. Em sistemas dinâmicos complexos, determinados resultados podem ser "instáveis" no que diz respeito à evolução temporal como função de seus parâmetros e variáveis. Isso significa que certos resultados determinados são causados pela ação e a interação de elementos de forma praticamente aleatória. 

 Para entender o que isso significa, basta pegar um exemplo na natureza, onde esses sistemas são comuns. A formação de uma nuvem no céu, por exemplo, pode ser desencadeada e se desenvolver com base em centenas de fatores que podem ser o calor, o frio, a evaporação da água, os ventos, o clima, condições do tempo, e isso para não entrar em fatores invisíveis, não-tangíveis, os desconhecidos, que podem ser aceitos na lógica geral, e os desconhecidos que não podem ser aceitos na lógica geral, além é claro, de supostos fatores metafísicos, fora que a percepção de cada um desses fatores só pode ser feito através dos sentidos, e aqui é chamada a fenomenologia, demonstrando-nos que uma pequena parcela de cada coisa pode ser entendida, e talvez, ainda, de forma errada, diria Peirce. Uma coisa simples torna-se extremamente complexa, já que as causas são totalmente desarraigadas dos efeitos, e nossa concepção lógica desses momentos somente se dão através dos fenômenos dos mesmos, ou seja, uma parcela destacada de eminência desses objetos, e não sua totalidade revelada. E, mesmo assim, apreendidos sob as rédeas da razão, que limitam as apreensões intelectivas às convenções universais, pragmáticas. E, mesmo admitindo que se possa conhecer essas coisas, por meio da intuição (Kant) ou vontade (Schopenhauer), como será feita a comunicação? 
 
  A lenda da Torre de Babel fornece o ar “místico”, que impõe, no âmago da retórica, uma qualidade cética latente, uma metáfora à incompreensão, a não -comunicação - em Górgias temos a máxima “O ser não existe. Mesmo que existisse, não seria cognoscível. E mesmo que fosse cognoscível, não seria passível de comunicar”. Em Agostinho vimos que as coisas podem ser ensinadas via sinais naturais. Mas como haveria sinal de coisa tão complexa? Como poderiam esses sinais serem mais eficientes que um dialeto?

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Música Celestial


Às vezes fico pensando...
 Não poderia ser a música um simples evento acústico-vibratório como ensina a ciência. É tão mais que isso que é impossível ficar calado!
 Várias vezes me deparo com sequências harmônicas, ou mesmo solos melódicos "a capela", e sinto que tais notas só poderiam ter sido geradas por uma inspiração muito próxima do "corpus celesti", pois incitam no bom ouvinte sensações inefáveis, e alteram a frequência de funcionamento do corpo, produzindo lembranças e sentimentos inesperados/desconhecidos. Não obstante, sem medo revelo minha crença: a composição musical tem dois fundamentos: um metafísico e um físico.


 O físico é a percepção corporal. Todos os sistemas corpóreos são atingidos e reagem às frequências das notas musicais (assim como as frequências das cores, ou as duas juntas, sonocromaticamente, etc). Não é à tôa que algumas sequências musicais induzem o sono, ou aguçam a percepção, ou enchem de expectativa, ou atiçam diversos sentimentos.

O metafísico é a captação intuitiva do que é música no mundo espiritual (Kardec [Chico Xavier; Platão] fala sobre). Através de um desvelamento artístico, o autor intui as notas (nem sempre notas somente na escala musical, mas até mesmo savarts e cents!) que lhe parecem agradáveis (falo até de dissonâncias!), e chega a um estado de êxtase divinatório que o possibilita colher fagulhas da música celestial e transcrevê-la / interpretá-la para execução no físico. O físico é meramente a interpretação desse sistema - ou seja, a música não é só áudio!
 O ouvinte passa pelo mesmo processo de desvelamento, sendo ele também um compositor, pois está também colhendo da árvore musical do cosmos.

  Daí vem minha crítica ao método em que muitos acreditam: "música boa é aquela que sôa agradável até para os leigos". Porém a crítica é somente baseada em crença, não prova verdade alguma: se cada pessoa possui certa idade espiritual, então é bastante lógico que os mais vividos possuem uma apreciação mais fina do que é belo, pois se aproximam da perfeição, do máximo estado-vibratório d'alma - que os permitem conhecer de forma muito próxima o verdadeiro "ser", a essência das coisas no plano superior. Os espíritos mais jovens possuem raízes curtas no mundo supra-sensível, e seus desejos são consumados pelas ilusões do mundo físico. Podemos eventualmente distinguir essas pessoas pelos seus gostos artísticos, ideias, interpretações, vontades...
 Essa ideia também pode ser remodelada para os não-crentes no samsara (carma), substituindo a idade espiritual pela física, e os desvelamentos espirituais pela bagagem técnica e cultural. De qualquer forma, é impossível nivelar todos os ouvintes para uma única categoria, pois seria adjetivar negativamente composições maestrais que os leigos não conseguem entender/gostar/admirar.

 Sem medo, novamente, exalto aqui o compositor-maior do sistema: Deus Jeová, o Deus de Cristo - eis o perfeito criador da música celeste, da qual nós, compositores/músicos/docentes musicais/produtores dependemos.

Como dar a autoria de algo tão belo como a música à um fenômeno acústico baseado nas leis físicas?
 A música é prova de que o confronto apolíneo-dionisíaco realmente existe, e produz o que chamo de "cacofonia agradável". Digo isso pelo fato de que o sistema operacional é complexo demais para rotularmos eventos com adjetivos positivos ou negativos. Tudo é produto de movimento do sistema, constituindo uma harmonia injustamente justa, representada em eventos cujas causas e fins nunca arraigamos!
 Veja que as dissonâncias são agradáveis, a blue-note é coisa linda, o lócrio é fantástico, a harmonia diminuta é incrivelmente instigante! O virtuosismo é bem-aventurado, pois é uma busca do conhecimento de algo supremo, através do aprimoramento técnico e trabalho suado sobre a teoria e instrumento.

 A música é um confronto de elementos diferentes, e belo pode ser o que é teoricamente "inaceitável" (coisa que o conservatório ainda prega!). A síntese musical é um material sonoro que causa determinados sentimentos no compositor e no ouvinte. E existem razões para isso! É digno de reflexão! Determinadas sequências de sons alteram a frequência de operação do cérebro, ativando áreas específicas.


 Ocasionalmente ouço riffs de criatividade tremenda. E quando isso acontece, alegro-me por poder ouvir a produção artística de alguém que aproximou-se intuitivamente da obra de Deus. Mas alegro-me (ou presto-me! hehe) mais ainda por termos em nosso medíocre mundo baseado em leis morais inúteis uma arte tão divina e primordial, que tem o poder de conduzir-nos à estados nirvânicos e incitar-nos ao conhecimento de Deus e do mundo celestial.

 Deus, obrigado pela música! =)

Evolução de Éter


O homem vê o amor como coisa boa, esse é o princípio. E torna-se amoroso.

O amoroso perde a razão, e se arrepende. Aventura-se nos rios da filosofia e da razão para consolar-se, e, enfim, torna-se 'sábio'.

 O 'sábio' busca a verdade.
 Enquanto a busca, se perde nos paradigmas voláteis da ciência, e se torna cético, e pior, cego e ateu.

 Enquanto cético percebe que algo metafísico transcende os fatos e os direitos.
 O novo cético busca a sabedoria do hiperurânio. Nada encontra de racional, é tudo anti-lógico. Um oceano frio de caos aleatório e doloroso.
 Num insight, de repente percebe que o que move o sistema operacional é uma força anti-racional, inefável, incomunicável, estritamente sensitiva.

 O amor!!

  E aí enxerga as maravilhas surreais que o rodeiam. e vê nelas causas e efeitos arraigados, e começa a sentir a aura de sentido que envolve tudo. A percepção das relações torna-se perfeita, e as injustiças parecem-lhe justas. Os adjetivos somem, e ele passa a ouvir a sinfonia eterna do cosmos.


 O pseudo-sábio é arrogante e se desgasta em dogmas refutáveis.
  Quem ama é o verdadeiro sábio.

 Quem duvida, ame e descubra. Presto aqui o atalho aos irmãos desse plano semi-celeste!
 Quem ama em consciência, descobre o Mestre, o Rei dos reis, o Construtor, o Dedo-criador, o princípio superior do Tao, o Regente do Nirvana, o grande Panteão, o Tudo-celeste, Jeová.
 
O próprio tempo vai provar às criaturas desse plano o quão afiro a verdade com esses grafemas. Mas apressem-se, irmãos, pois o tempo é carruagem que vai uma vez só pela mesma estrada!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sutis semidivindades




        Prefiro falar aos pássaros...
            Bem-aventurados, e felizes são, porquê não ponderam a semiose.
            Se seus entendimentos se dão de algum modo, este é ordenado, direto, compassado e objetivo.
            Virtude dos alados...

            Prefiro falar aos pássaros...
            Bem-aventurados, e felizes são, porquê não são induzidos pela razão à ceder aos impulsos sensoriais, que comprometem a cognição da mensagem.
            Não se atêm, jamais, à ruga no rosto do velho sábio que gentilmente compartilha fagulhas de seu conhecimento lógico sem pedir nada em troca -  sabe que é um espírito vivido que preenche uma carcaça física deplorável; os pássaros não estudam estética!
           
            Prefiro falar aos pássaros...
            Bem-aventurados, e felizes são, pois eles não irão refutar enesimamente as teorias numa busca ciumenta e narcisista de ostentação do saber supremo.
            Sua única intenção é serem autênticos, situados positivamente no tempo.

            Prefiro falar aos pássaros...
            Bem-aventurados, e felizes são, por nunca irão outorgar adjetivos de bem e mal à tragédia, certamente, pois sabem que a natureza “se passa” atemporal; tudo é destruído pela construção e construído pela destruição. Felizes são, por saberem, assim, tão simplesmente, que Apolo e Dionísio são o mesmo ser, e toda subsequência é mera falácia.

            Prefiro falar aos pássaros...
            Sábios eles são, e imortais permanecem na limbo do tempo, pois são arquétipos imutáveis, que constroem seu ninho hoje como faziam à dezenas de milhares de anos atrás.

            Prefiro falar aos pássaros...
            Bem-aventurados, e felizes são, porquê têm consciência de que toda razão que seja criada é finita e permeia o tempo, e torna-se limitada. Assim, preferem a ataraxia do que o julgamento vitalício, inútil (justamente pelo fato de que a razão é limitada!), do sistema operacional.

            Prefiro falar dos pássaros...
            Cuja classe consta num dicionário que nunca leram.
            Cuja vida é direta e plenamente vivida.
            Cuja aparência é somente um cacoete de um espelho maquiavélico. Ou uma arma artificial, da qual nós desgraçadamente fazemos uso em primeiro plano, em primeira instância, todo o tempo.
            Cujas dores se exprimem sem dor de vontade, e suas graças semeiam diretamente o fértil solo do sistema operacional.

            Prefiro falar aos pássaros...
            Bem-aventurados, e felizes são, porquê têm em julgo o oposto na unidade, e a unidade na oposição. A loucura na sanidade, e a sanidade na loucura. A bondade na maldade, e a maldade na bondade. Yin no Yang, e Yang no Yin. Porquê todos esses são medidas do mesmo, e o especulação do composto não lhes interessa.

            Prefiro falar aos pássaros...
            Porquê de passagem estão pela vida sensível, e não se queixam por não serem imortais.
            Não desgastam-se numa busca virtual de honra, conhecimento e dignidade. E nessa não-busca reside toda a honra, todo o conhecimento e toda a dignidade que lhes são necessários.
           
            Prefiro falar aos pássaros...
            Cujos humores resumem-se em um só. E conseguem ser ativamente passivos e passivamente ativos.
            Porquê solidariedade ou ausência dela são o mesmo ato.
            E do mesmo ato retomam a peça como se nada tivesse acontecido.

            Prefiro falar aos pássaros...
            Cuja bater de asas à altura das nuvens iguala-se à afogar o pescoço na água em busca de refeição. Todas as dimensões são uma só.

            Prefiro falar aos pássaros...
            Bem-aventurados, e felizes são.
            Porquê não cederão ao caos de minha razão
            e me responderão perpetuamente com um gracejo elegante, uma demonstração de seus pathos, intimamente ligados aos fluídos harmônicos do sistema operacional.
            Um belo canto, melodioso e sereno. Trágico, ruim, maléfico. Benéfico, saudável, caprichoso. Caótico, cacofônico, ordinário. Fino, afinado, belo.
            Assim mesmo, tudo-ao-mesmo-tempo. É o mesmo! Sempre foi!
            Fagulhas de uma arte que transcende, que colhe diretamente no cosmos, sem tecnicismo, sem teimosia, sem ganância.
           
            Bem-aventurados são, porquê até hoje só tiveram conhecimento de um adjetivo:
            Natural.
           
           

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O caos sistemático da modernidade


                 Mas, pior ainda do que o que será relatado, é que quase ninguém se deu conta. O caminho percorrido pela vida em sociedade entrou em ciclo, aparentemente irrompível, cujo fim será mesmo o fim, sem romancismo. Por uma série de desventuras iniciadas por personalidades ou grupos de inspirações questionáveis, temos hoje um conjunto sistemático que rege às ocultas nosso modo de vida. Não, não estou falando do assunto "quente" do momento, que são os Illuminati e blá blá blá - acho ainda que esse relato é ainda pior do que é dito desse sociedade secreta.

        
 Influências ocultas


                  Para quem ainda nunca ouviu falar, assim como na net existem códigos maliciosos que infectam os computadores, existem no mundo códigos maliciosos que infectam o subconsciente humano, através da captação sensitiva. Não é brincadeira, basta fazerem uma busca rápida pelo Google que encontrarás muita coisa. Os antigos povos hindus já sabiam disso, há muitos séculos, o que só está sendo comprovado pela ciência pelos dias atuais. Vou explicar através de um exemplo:

                Já lhe aconteceu, provavelmente, de ouvir alguma música e rapidamente lembrar-se de algo, - inexplicavelmente. Aquela música se associa à alguma lembrança, por algum motivo.
                Alguns desses casos são simples: se se estava ouvindo uma música quando aconteceu algo memorável, aquela música fica gravada no subconsciente e se associa às imagens e percepções da lembrança, constituindo um “multimedia-box". Assim que a música é ouvida novamente, aquela caixa de lembranças é estimulada e revela o conteúdo da lembrança, pouco a pouco. Mas alguns casos são totalmente diferentes. Vou exemplificar como isso pode acontecer de outra forma através de um acontecimento pessoal.
                Bem, estava eu na net assistindo vídeos musicais pelo Youtube, procurando tentar entender que mal aconteceu ao senso musical do mundo, até que me deparei com uma música que, do começo ao fim, me recordava a fachada de uma casa desocupada, que via constantemente na capital paulista. Aquilo era inexplicável! Comecei a pensar sobre isso tentando encontrar motivos, e a primeira resposta provisória que encontrei foi a de que estava a ouvir essa mesma música enquanto olhava para essa casa, e por isso  acaba me lembrando da casa quando ouvia novamente a música.
                Procurei a origem dessa composição, e notei que ela era de 2004, e a última vez em que vi aquela casa foi em 2001. Não preciso dizer que isso me intrigou e me instigou a buscar respostas mais eficientes, certo?
                Me dediquei a buscar muito material sobre ciência acústica, espiritismo (música é conexão interdimensional!), psicologia, religiões, etc - isso há sete anos atrás, quando me iniciei nos estudos budistas e sufis. Encontrei verdadeiras raridades, como um estudo inacabado sobre a influência dos sons e imagens no subconsciente, advindo do povo hindu. Também encontrei alguns trabalhos científicos que estudavam a influência das frequências (cada nota tem uma frequência em hertz) sonoras no cérebro e suas reações automativas.
                Passei a pesquisar também por conta própria, e percebi que não só as notas em si, como as harmonias (conjunto melódico de notas) e ritmos também interferem no subconsciente, ativando e alterando determinados pontos de nossas faculdades mentais, de nossa memória. Através de métodos pessoais, consegui reunir algumas frequências de indução, bem simples, mas já grandes passos para meus estudos. Bem, é indubitável que as frequências nos induzem a certos atos e pensamentos - e a lembrança é só uma de milhares de tipos de indução!
                Deduzo, e acredito que já haja algum estudo nesses parâmetros, que há uma ligação bem estreita (correspondência) entre imagens e sons - uma boa alternativa é a Teoria das Cordas (Leia sobre isso) Também lembro-me da contribuição pitagórica, da essência dos números e sua relação com o cosmo.
                Sem me estender muito nessa explicação, vou usar dessa iniciação para prosseguir com o artigo.


 As correntes da mídia


                Quando digo mídia aqui, considere uma metáfora para o televisor, já que os outros meios são tão poucos usados que chegam a ser irrisórios. Mas acontece também com a internet, com o rádio, periódicos de leitura, etc, cada um como seus métodos particulares
                Bem, é notável que as programações televisivas abusam de recursos multimídia, como sons, cores, movimento... todos possuem frequência, e todos agem de alguma forma em nosso intelecto. Se forem produzidos maliciosamente há verdadeiro risco - fora a manipulação direta!
                Veja bem...os povos antigos eram muito mais ingênuos do que os atuais, sim, e não dispunham de um meio coletivo de informação como um televisor. As sensações indutivas vinham naturalmente, sem malícia alguma; um conjunto de imagem, movimento e som ambiente. O objetivo aqui é ressaltar a importância de uma soundtrack (aquela musiquinha de fundo nas novelas, filmes, séries, comerciais, jornais, etc) quando se une à imagem e movimento. O efeito é catastrófico!
                Vejamos porquê:

1 - As imagens nos fornecem uma informação sensitiva, a ser captada. Há uma intenção naquela imagem, talvez não proposital, mas sempre há. Quando apresentada sozinha, ela permite que nosso intelecto forneça a intenção dela enquanto ela mesma. Parece inofensiva dessa forma.

2 - Os movimentos, conjunto de cores, imagens 3D, truques ilusivos e contexto das imagens apresentadas nos retiram a liberdade de adequá-las à nosso bem-querer. Aqui, torna-se um conjunto pronto para ser infiltrado no intelecto com uma intenção preparada. Mas, felizmente, até aí, temos a chance de questionar, acreditar ou não no que se apresenta.

3 - As soundtracks...aqui entram elas!
                Como já dito, as músicas tem o poder de induzir através da frequência das notas, da harmonia e do ritmo. Se elas tiverem em si o poder de indução de crença, então, adeus livre-arbítrio e poder decisivo! Ao se juntar às imagens e movimentos, forma a arma mais poderosa da mídia! Arrebata impiedosamente a atenção e a crença!



Parece loucura, uma coisa psicodélica? Pois bem, pergunte a si e a quem quiser, que assista T.V.:

Quem é o melhor jogador de futebol no Brasil hoje? - Neymar
 Mentira - técnica do endeusamento

Quem é o melhor jogador de futebol no mundo hoje? - Messi
 Mentira - técnica do endeusamento, novamente

De quem é a autoria dos atentados de 11/09/2001? - Bin Laden (jaz morto?)
 Mentira - técnica da falsa causa (pesquise)

O que é o candomblé? - ritual de magia negra
 Mentira - técnica da eliminação de concorrência (nesse caso, religiosa)
               
O que é o islamismo? - uma seita terrorista sádica.
 Mentira - técnica da eliminação de concorrência (nesse caso, religiosa)

Como são os alienígenas? - verdes, de cabeça grande
 Questionável, no mínimo

               
                Daí alguém vem me perguntar: “mas se o estudo de frequências de multimídia é algo tão complexo e desconhecido, como é que pode-se pensar que hajam especialistas nisso, agindo maliciosamente, por trás das programações televisivas?”
                Bem, não duvido da existência de especialistas nisso atuando na T.V..
                Mas é claro que as induções maliciosas não são produzidas somente por especialistas. Aqui entra a contribuição espírita:

                “Quando se pensa para o bem, o bem é feito; quando se pensa o mal, o mal é feito

                Uma intenção não carece de ação para se concretizar e atingir o alvo. Todos os nossos pensamentos, desejos, medos, tem influência na energia do universo, e são influenciados por ele. Nosso poder de alterar as coisas é tão devastador que não pode ser cognoscível completamente. Fazemos as coisas sem saber, e as causas são quase que totalmente desarraigadas dos efeitos. Não entendemos o porquê de algo, como aconteceu; há um bloqueio produzido pela nossa razão que nos impede de entender as peripécias do sistema operacional do universo. Cristo já havia dito:

                 “(...)se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível.”
Mateus (17:20)

                Logo, como a arte é uma conexão do mundo físico com o mundo espiritual, toda vez que nos usamos sinceramente dela, atingimos motivos inexplicáveis advindos da esfera cosmológica do universo espiritual. Se criamos uma música para alegrar e encher de esperança crianças doentes de câncer em um hospital, se for feito de modo sincero, seremos iluminados por energias espirituais (que frequentemente confundimos com inspirações, influências, “estado de  espírito”, etc) que trarão positivos resultados aos pacientes (o próprio ato de criar a composição para esse fim, pasme, já atuará na energia dos pacientes!).
                Essas energias trazem uma carga de intenção, que, como já dito, não tem explicação. No nosso mundo físico, são interpretadas pelos “drivers” físicos, como números, extensão, som, imagem, e se tornam um exemplo figurativo com uma intenção oculta. Cada uma delas entra no mundo físico e recebe um código universal de interpretação (uma metáfora: os códigos HTML para cores são sequências de caracteres, que são interpretados por qualquer navegador ou editor HTML do mundo, que, ao lê-lo, “descriptografa-o” e cria a cor correspondente – por sua vez, os códigos HTML tem fundamento numa sequência universal de caracteres regida pela base universal da informática, o sistema binário), que pode ser entendida por qualquer um.
                Talvez, para quem nunca tenha pensado nisso, seja complicado à primeira vista entender. 

                Imaginemos a seguinte metáfora: quando se escreve uma carta com uma intenção (por exemplo, uma carta de amor), tenta-se produzir, através do jogo dialético, as sequências corretas de palavras que representem o sentimento e a intenção. Se produzidas de modo sincero, as palavras alcançarão o efeito de serem entendidas e darem perfeita conclusão indutiva ao leitor, que interpretará o sentimento descrito e sentirá o mesmo efeito que outrora o escritor sentira.
                MAS, apesar de todo o romantismo da situação, deve-se saber que as palavras não denunciam fielmente os sentimentos, porquê são limitadas e incompletas (vide o artigo O Caminho do Cético, aqui mesmo no Philosufi).             
               Descrever o amor é tarefa impossível, não há modos de se definir sentimentos com palavras. Então, mesmo que seja muito eficaz na intenção primária, aquela carta de amor jamais vai poder representar fielmente o sentimento do escritor, pois o mesmo já mutilou seu sentimento ao tentar descrevê-lo.
                Talvez isso tenha inspirado a célebre frase “não existe amor, apenas provas de amor”... aliás, boa parte das pessoas não entendem a intenção do compositor, que, ao dizer “não existe amor”, quis dizer “definição de amor”, pois ele só se sente, não se explica. Temos exemplos de amor, mas não sua definição em essência!
               
                Assim acontece com nossas intenções e desejos: quando produzimos algo (com sinceridade!), imediatamente - e inconscientemente, recorremos à instância superior, à esfera espiritual, que nos irradia sua complexa (para nós) luz para que seja interpretada pelos fenômenos físicos. Aqui, então, explica-se como uma pessoa comum pode produzir trilhas soundtrack e sequências multimídia com intenções maliciosas, prontas para induzir os telespectadores.


                Nos próximos tópicos, continuarei com o artigo. Irei provar que o homem atual e globalizado busca a desumanização, e, através de algumas verdades, provarei sua progressiva perda de identidade.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O Caminho do Cético

Pirro de Élis já afirmava, por volta de 300 a.C., que o conhecimento sobre qualquer coisa é impossível (acatalepsia), e que seria perfeitamente possível contradizer qualquer argumento (antinomia).
    Já Protágoras de Abdera, por volta de 400 a.C, foi o autor da célebre frase:


    "O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são."



    E isso significa que cada homem é responsável pelos seus próprios conceitos. Dessa forma, não existe uma verdade universal, já que todas e cada coisa são conhecidos de forma particular, excluindo absolutamente qualquer vestígio de visões dogmáticas. Essa visão nega totalmente a ideia de "ser".

    Unindo essas concepções com os estudos da linguagem, de Charles Sanders Peirce, mais especificamente a "semiose", chego a uma conclusão que aprofunda ainda mais o niilismo da situação. Ainda, porém, é necessário dizer que o precursor da semiose não foi o inventor da mesma. E mesmo ele não conseguiu deter a evolução da própria teoria! Como uma rolha numa garrafa de champanha fina, a semiologia estava pressionada por séculos de dogmatismos filosóficos, esperando o momento de sua "descoberta" para enfim defender a posição relativista. Nela, como num cartaz enorme, vinham grafadas as verdades:


1 - Quando um homem diz algo, a menos que esta seja a única coisa que ele tenha dito, se contradiz em muitas outras que já disse e que irá dizer.

2 - O homem não cria absolutamente nada. Apenas nomeia as coisas imaginadas, baseadas em ficção particular ou em ideias abstratas de coisas existentes, mas carentes, ainda, de definição dialética.

3 - O homem nada conhece. E mesmo que conhecesse, não seria capaz de comunicar - limitação linguística.

4 - Toda invenção humana é mera coisificação simbólica de algo que já existe naturalmente.


    Na verdade, o novo cético apreende do passado um temor de todo e qualquer argumento.

 "Temor de que as sublimes aventuras do discurso filosófico não sejam mais que exemplos particulares das infinitas combinações possíveis de um prodigioso jogo de palavras".
Pereira, Oswaldo Porchat - Rumo ao ceticismo. Editora UNESP, 2007; Pag.23


   Este vem ao encontro dessa "dança do estudo das linguagens".
    E Pirro previa esse temor, dizendo que já que nada pode ser conhecido, a única atitude adequada é ataraxia.

    Então, me parece, o melhor há ser feito é resguardar-se e evitar a falácia dos "neo-sofistas"



A suspensão do julgamento / juízo

   
    Diz-se que Pirro era tão cético que isso o teria levado a agir de maneira insensata. Segundo Diógenes Laércio, não se guardava de risco algum que estivesse em seu caminho, carroças, precipícios ou cães. Certa vez, quando Anaxarco caiu em um poço, Pirro manteve-se imperturbável, conforme a sua filosofia, não socorrendo o mestre. Enesidemo argumenta, porém, que Pirro "filosofava segundo o discurso da suspensão do juízo, mas que não agia de maneira inaudita". Parece confirmar essa observação o fato de Pirro ter vivido até os 90 anos.
    De fato as pessoas agem manipuladas mesmo por concepções pragmáticas, munidas de conceitos subconscientes absolutos.
    Pode parecer antissocial, mas, segundo a corrente cética, o melhor a ser feito é ignorar as ações alheias e os fatos decorrentes, as reações. Não significa deixar de analisar, apenas não se preocupar em descobrir motivos, nem desvelar as conceitos, julgar e condenar. Seria um "gasto de energia" desnecessário, e um igualamento à postura dogmática. Sócrates, à exemplo de Parmênides, segundo nos conta a história (Platão), rendeu-se a disciplina observativa-analítica-definitiva. Queria quantificar e qualificar o "ser", e definir de forma absolutista o real valor das coisas, no intuito de chegar às origens.
    Resultado: todo o trabalho dele, assim como os que seguiram essa doutrina, foi e é alvo de refutações, ridicularizações e postergações.
   "Nada vindo do homem é infinito", já diziam alguns sábios. Então, despender precioso tempo e energia em algo que certamente será alterado e refutado pela posteridade não lhe parece algo produzido em vão?

sábado, 26 de março de 2011

Discussão sobre "nada"




Não havia me deleitado ainda sobre essa questão...quando fui indagado, atentado a responder, reservei alguns minutos para pensar.


 Trata-se de uma necessidade linguística? É meramente uma palavra?
Talvez sim!
De fato, enquanto apenas uma palavra, é inofensiva.
Quando pensamos (extrapolando a metalinguística) o "nada", o criamos. Ele se torna objeto. Aí é que começam os problemas!


Segundo o dicionário Aurélio:


nada
[Da loc. do lat. tard. res nata, ‘nenhuma coisa nascida’, que, com elipse do não (res [non] nata) e perda do res, passou a significar ‘coisa alguma’, ‘nada’.]
Pronome indefinido.
1.Nenhuma coisa; coisa alguma:
Não estuda nada, nada sabe. [Sin. (bras., pop.) níquel, (p. us.) bus, e (gír.) lhufas e nicles.]
Advérbio.
2.De modo nenhum; absolutamente não:
É um pequeno esperto, nada tolo.
Substantivo masculino.
3.A não existência.
4.V. ninharia:
Brigaram por um nada, uma tolice.
5.Pessoa insignificante, seja pelo aspecto físico (quando o termo tem, muitas vezes, significado carinhoso, e é, tb., us. no dim.), seja pelo intelectual ou moral (quando o termo é, em geral, us. pejorativamente):
É pequenininho, um nada;
É um nadinha de gente;
Era um escritor de meia-tigela, um nada.
6.Filos. O que se opõe ao ser, em graus e em sentidos diversos; não-ser. [Abre-se o nada à reflexão quer mediante categorias do pensamento, sendo concebido como negação, privação ou limite, quer mediante experiências de ordem afetiva pelas quais se revela ao ser humano a finitude. Em Heidegger, p. ex., o nada se revela pela angústia (5) (q. v.), como componente do Dasein (q. v.).]



Todas as concepções que tive sobre o assunto descrevo, em ordem cronológica:




 1. A existência do tudo neutraliza o nada, por negação?


Essa foi uma de minhas primeiras percepções. Seria antagônico conservar os dois em um mesmo universo. Se há o tudo, não sobra espaço para o nada! Um anula o outro. Dizer que o nada existe, implicaria na destruição da majestade do tudo. Ele não pode ser parcial! Ou é ou não é!
Mas há uma falha nessa lógica: Se pensarmos alguns outros opostos, iremos encontrar harmonia nos dois.
Exemplo: Frio e calor. Nenhum anula o outro. Eles coexistem. Onde não há um, há outro. Ainda assim acho melhor pensar nos dois como um só. Uma unidade de equilíbrio (Tao), Yin e Yang, são partes do mesmo, um só ser. Há um pouco de um em outro, e vice-versa.

É uma medida:

Mais frio / menos calor
            Ou
Mais calor / menos frio



Bem, passemos para o próximo argumento.


 2. A aplicação semiológica é viável para o nada?


Dá para dizer que o nada significa algo? Em alguns contextos, me parece que sim. Mas não há uma aplicação universal para o termo. É complicado imaginar, através dessa ótica, já que seria um paradoxo: o nada é nada, e significa algo? Então já transcende o próprio termo, e se torna objeto. A partir daí, é aplicável o estudo dentro da semiose, mas saímos da questão, completamente. O nada se tornou algo, então se transfere para o universo do tudo...e se ele faz parte do tudo, então já não existe mais. Dilemático!



 3. O nada como experiência empírica

A experiência sensível é tida, para os defensores da tradição empírica (Francis Bacon, Locke, Hume) como única forma de conhecimento. É contra, por exemplo, o racionalismo cartesiano ("Eu existo porque penso"). Se pensarmos nessa corrente filosófica como veraz, talvez sejamos levemente acalentados dessa agonia de não poder definir o nada. Do seguinte modo: NUNCA vivemos ou sentimos o nada! Logo, não podemos definí-lo.



 4. Um nada por aproximação

Conclusão que me parece mais aprazível, sem subjugar os argumentos anteriores. O nada é interpretado de forma errônea pelo homem. É um "bem-aventurado" senso-comum (como tal, efusivo sobre as interpretações). Uma mera aproximação, bem inábil, para descrição de fatos, como:


 - Joaquim, o que você fez hoje?
 - Ah, eu não fiz NADA.


Hum...não fez nada? Bem por certo ele estava morto então! (mais uma questão: morto é um estado? O estado é ente? Ou será um ser?)

Deixando o sarcasmo de lado:
Ele não estava à fazer nada. Respirava, movia-se, pensava...isso para dizer o mínimo. Então, algo ele fazia.
Vamos ao segundo exemplo:


 - O que há nesta caixa?
 - Não há NADA.


Na verdade, há algo na caixa. Não nada. Gases, bactérias, poeira, vestígios do que já esteve na caixa, vestígios do material que compõe a caixa, etc.
Dizer "nada", nesse exemplo, significa dizer que algo útil, ou pelo menos visível, está ausente.



A discussão sobre o "nada" é bem "velha" na metafísica. Algumas conclusões à respeito da mesma foram conservadas, como as suposições de Heidegger. Bem, então parece que aí, ao definir, o termo ganha uma "roupa" e se torna algo, mais uma vez.
Por que não deixá-lo carente de sentenças, e libertá-lo, enfim? O "nada" não é um nada é, e sim um nada não é.

Bem, por fim encerro o texto. Talvez o único em que "entender nada" se torna um bom entendimento.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Teoria da Produção de Energia

Do mesmo modo que nosso Universo é complexo para fora, é para dentro. Como entender um campo infinito que nos delimita? Pensar em algo físico infinito é simplesmente incabível para a cômica mente humana. E esse é simplesmente o assunto mais complexo de todos os tempos! Não há centro, laterais, frestas, arestas, esquinas, dobras, sentidos... é algo tão incompreensível que chega a ser agoniante! (é um desafio maior ainda aos pobres ateus - ó santa tristeza...viemos dos macacos? [discussão para outro compêndio])
E como aceitar a teoria do Universo finito, sem deixarmos de tentar imaginar o que há ao externo dos limites do mesmo? Aterrorizante...intrigante!
Uma "câmara de tortura" talvez de mesmo porte é reduzir progressivamente as proporções, e chegar ao estudo atômico - este é o ponto!
Segundo a semiologia, limitar o tamanho físico obviamente deixaria o estudo mais suave e simples...o quão enganado está... O Universo não é infinito só para fora, à grandiosas proporções geométricas. É infinito nas menores coisas também!
Pois bem, nossa avançada ciência atribui à existência do átomo todas as coisas. Compostos moleculares são responsáveis por cada grão de matéria e suas modificações químicas, biológicas e físicas.
Então vamos debulhar o átomo! Teremos os elétrons, os nêutrons e os prótons, no convencionado sistema orbital. Ok! Mas vamos além!
Já sabemos também que corpos menores que esses três elementos já são conhecidos (como os quarks).
Agora, o próximo passo é profundo, é um abismo progressivamente absurdo! Qualquer indivíduo com o mínimo de intelecto sabe que NÃO há energia surgindo do nada. É necessário um produtor que abasteça um outro. E num sistema de "engrenagens" subatômicas, fica fácil imaginar um elemento repassando, transformando e gerando mais energia para o próximo elemento em uma cadeia.
Suponhamos que nossa nano-tecnologia fosse avançada em um milhão de anos de incansáveis estudos. Hipoteticamente, no começo teríamos descoberto um elemento que fornece energia para o funcionamento do átomo. Depois de alguns anos, descobriríamos que aquele elemento não produz energia alguma, apenas repassa a que é produzida por outro corpo dentro do segundo. E logo depois descobriríamos que esse terceiro também é um repassador. E assim sucessivamente pelos próximos um milhão de anos (sustentando a ideia - utópica - de que vivamos tanto). Teríamos descoberto tantos corpos menores repassadores de energia que faria o projeto genoma parecer um estudo sobre a aerodinâmica dos avioezinhos de papel. E finalmente cairíamos num dilema irrespondível: será que a produção de energia é realizada por um corpo, realmente, que seja inerte, indivisível e cientificamente inexplicável (imagine, produzir energia do nada!) ou será que teríamos uma "dízima periódica", com um corpo repassando energia ao outro infinitamente? - o que é ininteligível!
As respostas para essas questões estão dentro de nós, mas nunca as encontraremos, pois nossa visão está voltada para fora.
Simplesmente há coisas que nunca (nunca mesmo) saberemos.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Reflexões sobre nossa existência

  Quando paro para pensar sobre este assunto, logo imagino quantas outras pessoas já não se interessaram à dedicar horas de seus dias para pensar também. Sobre qualquer ponto de vista: astrológico, cármico, filosófico, religioso, físico, etc...a velha questão que nos atormenta há séculos: de onde viemos, para onde vamos, qual nosso propósito?
Se pensarmos pelo caminho físico (porém já imensamente difícil, pois estamos a lidar com a natureza, que supera em muito a inteligência do homem), acabamos muitas vezes caindo em divergências, típicas de prosas relativistas, ou mesmo em (absurdos) devaneios. Mesmo assim, este ponto de vista é o que me parece ser o mais “fácil”.
E quando digo que é fácil, é pelo fato do quão simples é um professor ensinar seu aluno de que a Terra e toda a sua vida surgiu de um “simples” Big Bang. Simples de digerir, primariamente, ao imaginar que gases simplesmente se chocaram gerando uma reação em cadeia que concluiu numa explosão de magnitude incalculável, produzindo assim o sistema solar por completo, tal como ele é hoje...lamento que tenhamos que discutir sobre tal ponto de vista...
Vou citar aqui alguns trechos do livro Life – How Did it Get Here? By Evolution or by Creation? da Watchtower Bible Students Association. Apesar do apelo religioso, é uma obra fantástica que contesta velhas convenções físicas que julgamos por certas, justamente por fazerem parte do currículo escolar.

1 – A atmosfera primitiva

"Em 1953, Stanley Miller fez passar uma faísca elétrica por uma ‘atmosfera’ de hidrogênio, metano, amônia e vapor d’água. Isto produziu alguns dos muitos aminoácidos existentes, e que constituem os blocos de construção de proteínas. No entanto, só conseguiu quatro dos vinte aminoácidos necessários para que exista vida. Mais de trinta anos depois, os cientistas ainda não haviam conseguido produzir, experimentalmente, todos os vinte aminoácidos necessários, sob condições que poderiam ser consideradas plausíveis. Miller presumiu que a atmosfera da Terra primitiva era similar à de seu balão de ensaio experimental(...). ‘A síntese dos compostos biológicos só ocorre sob redução’ (ausência de oxigênio livre na atmosfera). Havendo oxigênio no ar [como na atmosfera], o primeiro aminoácido jamais teria começado; e sem oxigênio, ele teria sido extirpado pelos raios cósmicos’”.

2 – A fotossíntese

"Em algum ponto, a célula primitiva teve de inventar algo que revolucionou a vida na Terra - a fotossíntese! Os cientistas ainda não entendem completamente este processo, pelo qual as plantas absorvem bióxido de carbono e liberam oxigênio. Trata-se , conforme declara o biólogo F.W. Went, de ‘um processo que ninguém até agora conseguiu reproduzir num tubo de ensaio.’ Todavia, imagina-se que uma pequenina célula simples, por acaso, deu origem a ele. Este processo de fotossíntese transformou uma atmosfera sem nenhum oxigênio livre em uma em que, de cada cinco moléculas, uma é de oxigênio. Em resultado disso, os animais puderam respirar e viver, e foi possível a formação de uma camada de ozônio para proteger toda a vida dos efeitos da radiação ultravioleta”.
A questão até aqui é: como de uma explosão poderia, ao acaso, fazer surgir essa gama de circunstâncias complexas?

3 - A teoria da evolução

Uma das maiores obras científicas de todos os tempos, sem dúvida, é "A Origem das Espécies” de Charles Darwin, publicada em 1858.
A essência dessa teoria é plenamente difundida nas escolas, o que constitui um erro tremendo. Em primeiro lugar, nessa marcante e polêmica obra, Darwin se propõe a explicar como as espécies foram evoluindo até chegar à espécie humana. Supostamente se apoiava em pesquisas e análises de fósseis. Finalmente, quando o livro foi lançado, uma chuva de críticas excomungou a obra, justamente porquê ele se habilita a elucidar sua teoria, e não a faz! O livro basicamente é constituído de suposições e muito “rodeio”, e não há nenhuma sentença científica plausível. Em segundo lugar, tanto obras anteriores à esta como as posteriores continham análises detalhadas de achados arqueológicos, e nessas os fósseis contradiziam totalmente a teoria darwinista. Existem “abismos” entre as espécies, e características congênitas carecem de provas. Não há registro de ligação entre um peixe e uma criatura anterior, da qual pudesse ter evoluído. Eles simplesmente surgiram! Não há nada que explique a transição de um peixe para um anfíbio. Assim como para os répteis, as aves e os símios. E o mais importante: não existe nenhum elo entre os símios e os seres humanos! São espécies distintas e únicas. Não há fosseis que caracterizem e evolução do macaco para o homem (lembra aquela velha teoria, do Homo Erectus, Homem de Neanderthal? ESQUEÇA!).

4 – A complexidade do Universo

Como explicar que o nosso ar tem quantidade necessária de oxigênio para a vida? É comprovado cientificamente que um pouco (muito pouco) a mais de oxigênio nos intoxicaria, e um pouco menos seria irrisório demais para a existência animal.
Como explicar as leis que regem o Universo? Exemplo: para lançar um foguete no espaço, são necessários cálculos, que envolvem invariáveis definitivas e estáveis, como a gravidade, pesos, velocidade média, etc. São tão precisas as leis físicas do Universo, que é possível calcular minuciosamente o tempo de chegada da Terra à lua.
Como explicar que o Big Bang tenha originado compostos orgânicos tão complexos, e edificações naturais, e uma atmosfera inteligentemente composta? Ora, de uma explosão, só resulta destruição (vide as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki). Uma casa é construída por mentes e mãos conscientes. O planeta Terra, infinitamente mais complexo do que uma casa, como poderia ser criado ao acaso, por uma explosão?
Como explicar nossa distância exata do sol, de forma a permitir toda a vida terrena? Estamos situados há cerca de cento e cinquenta milhões de quilômetros do sol. Um pouco mais perto, e o planeta seria um caldeirão, de temperaturas altíssimas (vide Vênus), e um pouco mais longe, seria talvez um bloco de gelo maciço, cheio de gases que inviabilizariam a presença de algo vivo (vide Marte).
Como explicar a quantidade de belezas naturais, de um solo produtivo, de frutos tão saborosos, de tão extensa quantidade de espécies vivendo em harmonia, do instinto, da inteligência, da herança genética...

      A intenção aqui é questionar as pré-suposições já adotadas no intuito de abrir novas portas para a filosofia moderna que ainda se apóia muito na antiga, e que para mim, ainda parece um tanto desengonçada.
Ora...não sou físico...e muito menos Deus. Creio que muitos já se perguntaram o mesmo: tudo tem início e fim, sendo o início surgido à partir de uma matriz, e sua morte uma simples troca de matéria, “animando a natureza sob outra forma” , assim como outrora diziam. Então, tendo estes princípios básicos em mente, já é possível questionar a origem desses gases que geraram um fenômeno orgânico-explosivo. E suas matrizes também, de onde vieram? Não há resposta! A única conclusão que dá para fazer aqui é que um ateu é um ser inconsciente, e, com o perdão do termo, desprovido de inteligência, pois não é possível a natureza criar-se sozinha, assim como um ovo não aparece sem que a galinha o tenha botado (a propósito, a galinha veio primeiro).
E nesse sentido é perceptível a associação que existe entre esses fatos e a existência de um vida maior e suprema, que criou tudo e governa. Não quero também entrar em contextos religiosos, que para mim nada mais são do que ópios, ferramentas ilusórias de ascensão, pois religião não é própria de Deus. Buda não criou o budismo, assim como Cristo não criou o Cristianismo. Seus sectários foram quem o fundaram, no intuito de repassar os ensinamentos já adquiridos. E assim, a decadência da mente perturbada do homem já começou a modificar, a querer brincar de Deus. O que o homem faz é corromper, destruir e multiplicar sem necessidade.
É, tinham razão os que diziam que nós somos seres “dormidos”, inertes em uma vida ilusória, assim como acontece em nossos sonhos à noite. É, pois, a única diferença se faz na consciência lógica, que perde o lugar para a consciência “animal”, quando vamos dormir. Já aqui vamos passar do ponto físico para o metafísico e psicológico. Um animal certamente não notaria o absurdo de um elefante voando, de uma árvore chegando até as nuvens, de formigas gigantes ou de qualquer outra coisa desta espécie. Então, quando dormimos, temos uma consciência semelhante à animal selvagem, semelhante à mente de Adão e Eva antes de comer do fruto do conhecimento, pois em nossos sonhos isso acontece com enorme frequência, e às vezes rimos desses fatos logo que acordamos. Assim como a matéria, espaço e tempo também não tem lógica no mundo dos sonhos. Muitas pessoas dizem sonhar que viveram cinco, dez, cem anos, ou apenas um segundo, que lhe custaram uma noite de oito horas. Ou seja, a nossa mente não atua quando sonhamos, quem o faz é nossa consciência natural, totalmente afastada do nosso conhecimento. O máximo que fazem é usar nossa memória (muitas vezes até de outras encarnações), figuras de nosso passado para constituir novos contextos extremamente estranhos. E quando “acordamos”, ainda assim essa mente estranha atua, como uma corrente infindável que dificulta nossa interpretação da mente sábia. Osho já dizia, que só o que precisamos é dessa consciência “animal”, e que quando mais conhecimento adquirimos, mais dormidos estamos. Concordo em parte...a sabedoria é o que nos difere dos animais, pois assim atribuiu Deus...abrir mão desta mente é algo que, mesmo que fosse possível,iria ser algo contra as regras da vida; o que nos iria diferenciar dos outros animais? O conhecimento nos dá a oportunidade de questionar, aprender, imaginar, raciocinar...e até comunicar...sem essa mente, seríamos irracionais.
O que me é bastante útil são os ensinamentos de Hipócrates, o pensar inicial da meditação, o culto à sabedoria é algo prazeroso, portanto, humano. O prazer é algo humano!
Partindo para o lado cármico ...logo de princípio posso dizer que a reencarnação é uma visão complexa demais para ser debatida em um simples discurso...muitas teorias abordam o assunto de diferentes formas, e contrastam-se opiniões internamente na própria filosofia espiritual do budismo hindu ou do mongol, ou mesmo o zen japonês; os xamãs africanos; o espiritismo tibetano, e o Tao. Só poderemos decifrar os enigmas da pós-vida depois que a vivenciarmos na prática...mas...ora...o que morre afinal? Nada é morte! Tudo faz parte da vida! A vida é uma linha horizontal, cortada no meio, por uma linha vertical que julgam “morte”. Não há como assimilar a "morte" como o fim, pois esta ainda ninguém (”vivo”) conhece. Quando um ser supostamente morre, na verdade, ele apenas deixa seu corpo, que nada mais é que um invólucro temporário, físico, tangente. Sua alma ainda deriva pelo universo, sabe-se lá sobre qual forma, se regular ou não, e com que propósitos.

O fato é que quando temos consciência de nossa existência, passamos a ser acordados, e não mais escravos do mundo ilusório dos dormidos. Assim, mesmo quando o corpo desfalece, nossa consciência ainda toma parte de nossa nova forma. Extraordinário!
Os homens possuem estereótipos que chegam a ser surreais, e por isso mesmo acabam se aprisionando nesse mundo ilusório, empapando-se por completo em pensamentos equivocados, em sua existência disfarçada. Solução: meditação, já diziam muitos budas. Mas não meditar por meditar...a necessidade é de abrir sua mente, abster-se de todo o resto do mundo para aprender mais sobre si, libertando o seu “eu “ natural, deixando que sua consciência humana tenha prioridade, mas tendo como companheiro sua mente natural, que será o maior responsável pelo fato de conseguir acordar (ou não).
A psicologia moderna acredita no poder mental humano, e lhe atribui à causa da realização de nossos pensamentos e objetivos. É algo como “pense fixamente no que você quer. Deseje com toda sua força, e em algum tempo, o terá. Basta querer”. E realmente, funciona assim, mas este ensinamento psicológico deriva da sabedoria de Cristo, ao dizer que a fé do homem pode remover montanhas. E realmente pode. É como uma aura, que todos temos, e nela estão contidos todos nossos sentimentos, todo o bem e mal contidos em nossa alma, chocando-se frequentemente. O lado do bem tenta concretizá-los, e o mal o impede (até com ações físicas!). Ou seja, quando você pensa no mal, já o faz, sua alma já o interpreta, e passa a agir. Se seu desejo é extremamente grande, e você tem domínio sobre seus medos e sobre o mal que inevitavelmente faz parte do ser humano, logo o bem de sua aura triunfará trazendo à tona seus desejos. É como dois imãs de polaridades iguais, se repelindo constantemente. Um deles de repente ganha mais “massa”, e portanto, passa a repelir o outro para mais longe. A aura então pode ser comparada a um campo magnético invisível, intocável, mas existente. E nele se abriga tudo que se pensa. Se pensa para o mal, o lado yang tomará posse, se pensar para o bem, a vez é do Yin. E mesmo sem nos darmos conta, nosso subconsciente está atuando sobre estas duas forças opostas, criando novas armas para o bem e para o mal, mesmo quando se está dormindo, usando de sua mente oculta.
Vou dar um exemplo simples da atuação de forças negativas, cujo simples conhecimento de existência acarretaria muito menos guerras e discussões. Imagine que você está na cozinha, e seu pai, sistemático por default, e maníaco por economia de água, luz e telefone, também. Você está simplesmente tomando água, e ele limpando a mesa. Então ele sai da cozinha, apaga a luz. Você também sai do aposento, simplesmente. Logo depois, seu pai chega e pergunta-lhe o porquê de ter deixado a luz da cozinha acesa. Mas ele havia apagado! E você não a acendeu novamente! Algo se apossou desse recurso, e acendeu a luz, sem a percepção de ninguém, para gerar uma intriga entre você e seu pai! E essa discussão vai tomando novos rumos, até ele te expulsar de casa ou algo do tipo. É, as coisas hoje são exageradas, pessoas são assassinadas por deverem cinco centavos. Então, armado o conflito, você e seu pai nunca irão saber a verdade, que nenhum dos dois havia deixado a luz acesa. Pense bem nisso, e evite muitos conflitos!

Vou deixar-lhes uma “máxima” taoísta, definido como o modo de caminhar:

“Na busca do conhecimento, todos os dias algo é adquirido,
Na busca do Tao, todos os dias algo é deixado para trás.

E cada vez menos é feito
até se atingir a perfeita não-ação.
Quando nada é feito, nada fica por fazer.

Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.
E não interferindo.”