sexta-feira, 13 de maio de 2011

O Caminho do Cético

Pirro de Élis já afirmava, por volta de 300 a.C., que o conhecimento sobre qualquer coisa é impossível (acatalepsia), e que seria perfeitamente possível contradizer qualquer argumento (antinomia).
    Já Protágoras de Abdera, por volta de 400 a.C, foi o autor da célebre frase:


    "O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são."



    E isso significa que cada homem é responsável pelos seus próprios conceitos. Dessa forma, não existe uma verdade universal, já que todas e cada coisa são conhecidos de forma particular, excluindo absolutamente qualquer vestígio de visões dogmáticas. Essa visão nega totalmente a ideia de "ser".

    Unindo essas concepções com os estudos da linguagem, de Charles Sanders Peirce, mais especificamente a "semiose", chego a uma conclusão que aprofunda ainda mais o niilismo da situação. Ainda, porém, é necessário dizer que o precursor da semiose não foi o inventor da mesma. E mesmo ele não conseguiu deter a evolução da própria teoria! Como uma rolha numa garrafa de champanha fina, a semiologia estava pressionada por séculos de dogmatismos filosóficos, esperando o momento de sua "descoberta" para enfim defender a posição relativista. Nela, como num cartaz enorme, vinham grafadas as verdades:


1 - Quando um homem diz algo, a menos que esta seja a única coisa que ele tenha dito, se contradiz em muitas outras que já disse e que irá dizer.

2 - O homem não cria absolutamente nada. Apenas nomeia as coisas imaginadas, baseadas em ficção particular ou em ideias abstratas de coisas existentes, mas carentes, ainda, de definição dialética.

3 - O homem nada conhece. E mesmo que conhecesse, não seria capaz de comunicar - limitação linguística.

4 - Toda invenção humana é mera coisificação simbólica de algo que já existe naturalmente.


    Na verdade, o novo cético apreende do passado um temor de todo e qualquer argumento.

 "Temor de que as sublimes aventuras do discurso filosófico não sejam mais que exemplos particulares das infinitas combinações possíveis de um prodigioso jogo de palavras".
Pereira, Oswaldo Porchat - Rumo ao ceticismo. Editora UNESP, 2007; Pag.23


   Este vem ao encontro dessa "dança do estudo das linguagens".
    E Pirro previa esse temor, dizendo que já que nada pode ser conhecido, a única atitude adequada é ataraxia.

    Então, me parece, o melhor há ser feito é resguardar-se e evitar a falácia dos "neo-sofistas"



A suspensão do julgamento / juízo

   
    Diz-se que Pirro era tão cético que isso o teria levado a agir de maneira insensata. Segundo Diógenes Laércio, não se guardava de risco algum que estivesse em seu caminho, carroças, precipícios ou cães. Certa vez, quando Anaxarco caiu em um poço, Pirro manteve-se imperturbável, conforme a sua filosofia, não socorrendo o mestre. Enesidemo argumenta, porém, que Pirro "filosofava segundo o discurso da suspensão do juízo, mas que não agia de maneira inaudita". Parece confirmar essa observação o fato de Pirro ter vivido até os 90 anos.
    De fato as pessoas agem manipuladas mesmo por concepções pragmáticas, munidas de conceitos subconscientes absolutos.
    Pode parecer antissocial, mas, segundo a corrente cética, o melhor a ser feito é ignorar as ações alheias e os fatos decorrentes, as reações. Não significa deixar de analisar, apenas não se preocupar em descobrir motivos, nem desvelar as conceitos, julgar e condenar. Seria um "gasto de energia" desnecessário, e um igualamento à postura dogmática. Sócrates, à exemplo de Parmênides, segundo nos conta a história (Platão), rendeu-se a disciplina observativa-analítica-definitiva. Queria quantificar e qualificar o "ser", e definir de forma absolutista o real valor das coisas, no intuito de chegar às origens.
    Resultado: todo o trabalho dele, assim como os que seguiram essa doutrina, foi e é alvo de refutações, ridicularizações e postergações.
   "Nada vindo do homem é infinito", já diziam alguns sábios. Então, despender precioso tempo e energia em algo que certamente será alterado e refutado pela posteridade não lhe parece algo produzido em vão?

sábado, 26 de março de 2011

Discussão sobre "nada"




Não havia me deleitado ainda sobre essa questão...quando fui indagado, atentado a responder, reservei alguns minutos para pensar.


 Trata-se de uma necessidade linguística? É meramente uma palavra?
Talvez sim!
De fato, enquanto apenas uma palavra, é inofensiva.
Quando pensamos (extrapolando a metalinguística) o "nada", o criamos. Ele se torna objeto. Aí é que começam os problemas!


Segundo o dicionário Aurélio:


nada
[Da loc. do lat. tard. res nata, ‘nenhuma coisa nascida’, que, com elipse do não (res [non] nata) e perda do res, passou a significar ‘coisa alguma’, ‘nada’.]
Pronome indefinido.
1.Nenhuma coisa; coisa alguma:
Não estuda nada, nada sabe. [Sin. (bras., pop.) níquel, (p. us.) bus, e (gír.) lhufas e nicles.]
Advérbio.
2.De modo nenhum; absolutamente não:
É um pequeno esperto, nada tolo.
Substantivo masculino.
3.A não existência.
4.V. ninharia:
Brigaram por um nada, uma tolice.
5.Pessoa insignificante, seja pelo aspecto físico (quando o termo tem, muitas vezes, significado carinhoso, e é, tb., us. no dim.), seja pelo intelectual ou moral (quando o termo é, em geral, us. pejorativamente):
É pequenininho, um nada;
É um nadinha de gente;
Era um escritor de meia-tigela, um nada.
6.Filos. O que se opõe ao ser, em graus e em sentidos diversos; não-ser. [Abre-se o nada à reflexão quer mediante categorias do pensamento, sendo concebido como negação, privação ou limite, quer mediante experiências de ordem afetiva pelas quais se revela ao ser humano a finitude. Em Heidegger, p. ex., o nada se revela pela angústia (5) (q. v.), como componente do Dasein (q. v.).]



Todas as concepções que tive sobre o assunto descrevo, em ordem cronológica:




 1. A existência do tudo neutraliza o nada, por negação?


Essa foi uma de minhas primeiras percepções. Seria antagônico conservar os dois em um mesmo universo. Se há o tudo, não sobra espaço para o nada! Um anula o outro. Dizer que o nada existe, implicaria na destruição da majestade do tudo. Ele não pode ser parcial! Ou é ou não é!
Mas há uma falha nessa lógica: Se pensarmos alguns outros opostos, iremos encontrar harmonia nos dois.
Exemplo: Frio e calor. Nenhum anula o outro. Eles coexistem. Onde não há um, há outro. Ainda assim acho melhor pensar nos dois como um só. Uma unidade de equilíbrio (Tao), Yin e Yang, são partes do mesmo, um só ser. Há um pouco de um em outro, e vice-versa.

É uma medida:

Mais frio / menos calor
            Ou
Mais calor / menos frio



Bem, passemos para o próximo argumento.


 2. A aplicação semiológica é viável para o nada?


Dá para dizer que o nada significa algo? Em alguns contextos, me parece que sim. Mas não há uma aplicação universal para o termo. É complicado imaginar, através dessa ótica, já que seria um paradoxo: o nada é nada, e significa algo? Então já transcende o próprio termo, e se torna objeto. A partir daí, é aplicável o estudo dentro da semiose, mas saímos da questão, completamente. O nada se tornou algo, então se transfere para o universo do tudo...e se ele faz parte do tudo, então já não existe mais. Dilemático!



 3. O nada como experiência empírica

A experiência sensível é tida, para os defensores da tradição empírica (Francis Bacon, Locke, Hume) como única forma de conhecimento. É contra, por exemplo, o racionalismo cartesiano ("Eu existo porque penso"). Se pensarmos nessa corrente filosófica como veraz, talvez sejamos levemente acalentados dessa agonia de não poder definir o nada. Do seguinte modo: NUNCA vivemos ou sentimos o nada! Logo, não podemos definí-lo.



 4. Um nada por aproximação

Conclusão que me parece mais aprazível, sem subjugar os argumentos anteriores. O nada é interpretado de forma errônea pelo homem. É um "bem-aventurado" senso-comum (como tal, efusivo sobre as interpretações). Uma mera aproximação, bem inábil, para descrição de fatos, como:


 - Joaquim, o que você fez hoje?
 - Ah, eu não fiz NADA.


Hum...não fez nada? Bem por certo ele estava morto então! (mais uma questão: morto é um estado? O estado é ente? Ou será um ser?)

Deixando o sarcasmo de lado:
Ele não estava à fazer nada. Respirava, movia-se, pensava...isso para dizer o mínimo. Então, algo ele fazia.
Vamos ao segundo exemplo:


 - O que há nesta caixa?
 - Não há NADA.


Na verdade, há algo na caixa. Não nada. Gases, bactérias, poeira, vestígios do que já esteve na caixa, vestígios do material que compõe a caixa, etc.
Dizer "nada", nesse exemplo, significa dizer que algo útil, ou pelo menos visível, está ausente.



A discussão sobre o "nada" é bem "velha" na metafísica. Algumas conclusões à respeito da mesma foram conservadas, como as suposições de Heidegger. Bem, então parece que aí, ao definir, o termo ganha uma "roupa" e se torna algo, mais uma vez.
Por que não deixá-lo carente de sentenças, e libertá-lo, enfim? O "nada" não é um nada é, e sim um nada não é.

Bem, por fim encerro o texto. Talvez o único em que "entender nada" se torna um bom entendimento.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Teoria da Produção de Energia

Do mesmo modo que nosso Universo é complexo para fora, é para dentro. Como entender um campo infinito que nos delimita? Pensar em algo físico infinito é simplesmente incabível para a cômica mente humana. E esse é simplesmente o assunto mais complexo de todos os tempos! Não há centro, laterais, frestas, arestas, esquinas, dobras, sentidos... é algo tão incompreensível que chega a ser agoniante! (é um desafio maior ainda aos pobres ateus - ó santa tristeza...viemos dos macacos? [discussão para outro compêndio])
E como aceitar a teoria do Universo finito, sem deixarmos de tentar imaginar o que há ao externo dos limites do mesmo? Aterrorizante...intrigante!
Uma "câmara de tortura" talvez de mesmo porte é reduzir progressivamente as proporções, e chegar ao estudo atômico - este é o ponto!
Segundo a semiologia, limitar o tamanho físico obviamente deixaria o estudo mais suave e simples...o quão enganado está... O Universo não é infinito só para fora, à grandiosas proporções geométricas. É infinito nas menores coisas também!
Pois bem, nossa avançada ciência atribui à existência do átomo todas as coisas. Compostos moleculares são responsáveis por cada grão de matéria e suas modificações químicas, biológicas e físicas.
Então vamos debulhar o átomo! Teremos os elétrons, os nêutrons e os prótons, no convencionado sistema orbital. Ok! Mas vamos além!
Já sabemos também que corpos menores que esses três elementos já são conhecidos (como os quarks).
Agora, o próximo passo é profundo, é um abismo progressivamente absurdo! Qualquer indivíduo com o mínimo de intelecto sabe que NÃO há energia surgindo do nada. É necessário um produtor que abasteça um outro. E num sistema de "engrenagens" subatômicas, fica fácil imaginar um elemento repassando, transformando e gerando mais energia para o próximo elemento em uma cadeia.
Suponhamos que nossa nano-tecnologia fosse avançada em um milhão de anos de incansáveis estudos. Hipoteticamente, no começo teríamos descoberto um elemento que fornece energia para o funcionamento do átomo. Depois de alguns anos, descobriríamos que aquele elemento não produz energia alguma, apenas repassa a que é produzida por outro corpo dentro do segundo. E logo depois descobriríamos que esse terceiro também é um repassador. E assim sucessivamente pelos próximos um milhão de anos (sustentando a ideia - utópica - de que vivamos tanto). Teríamos descoberto tantos corpos menores repassadores de energia que faria o projeto genoma parecer um estudo sobre a aerodinâmica dos avioezinhos de papel. E finalmente cairíamos num dilema irrespondível: será que a produção de energia é realizada por um corpo, realmente, que seja inerte, indivisível e cientificamente inexplicável (imagine, produzir energia do nada!) ou será que teríamos uma "dízima periódica", com um corpo repassando energia ao outro infinitamente? - o que é ininteligível!
As respostas para essas questões estão dentro de nós, mas nunca as encontraremos, pois nossa visão está voltada para fora.
Simplesmente há coisas que nunca (nunca mesmo) saberemos.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Reflexões sobre nossa existência

  Quando paro para pensar sobre este assunto, logo imagino quantas outras pessoas já não se interessaram à dedicar horas de seus dias para pensar também. Sobre qualquer ponto de vista: astrológico, cármico, filosófico, religioso, físico, etc...a velha questão que nos atormenta há séculos: de onde viemos, para onde vamos, qual nosso propósito?
Se pensarmos pelo caminho físico (porém já imensamente difícil, pois estamos a lidar com a natureza, que supera em muito a inteligência do homem), acabamos muitas vezes caindo em divergências, típicas de prosas relativistas, ou mesmo em (absurdos) devaneios. Mesmo assim, este ponto de vista é o que me parece ser o mais “fácil”.
E quando digo que é fácil, é pelo fato do quão simples é um professor ensinar seu aluno de que a Terra e toda a sua vida surgiu de um “simples” Big Bang. Simples de digerir, primariamente, ao imaginar que gases simplesmente se chocaram gerando uma reação em cadeia que concluiu numa explosão de magnitude incalculável, produzindo assim o sistema solar por completo, tal como ele é hoje...lamento que tenhamos que discutir sobre tal ponto de vista...
Vou citar aqui alguns trechos do livro Life – How Did it Get Here? By Evolution or by Creation? da Watchtower Bible Students Association. Apesar do apelo religioso, é uma obra fantástica que contesta velhas convenções físicas que julgamos por certas, justamente por fazerem parte do currículo escolar.

1 – A atmosfera primitiva

"Em 1953, Stanley Miller fez passar uma faísca elétrica por uma ‘atmosfera’ de hidrogênio, metano, amônia e vapor d’água. Isto produziu alguns dos muitos aminoácidos existentes, e que constituem os blocos de construção de proteínas. No entanto, só conseguiu quatro dos vinte aminoácidos necessários para que exista vida. Mais de trinta anos depois, os cientistas ainda não haviam conseguido produzir, experimentalmente, todos os vinte aminoácidos necessários, sob condições que poderiam ser consideradas plausíveis. Miller presumiu que a atmosfera da Terra primitiva era similar à de seu balão de ensaio experimental(...). ‘A síntese dos compostos biológicos só ocorre sob redução’ (ausência de oxigênio livre na atmosfera). Havendo oxigênio no ar [como na atmosfera], o primeiro aminoácido jamais teria começado; e sem oxigênio, ele teria sido extirpado pelos raios cósmicos’”.

2 – A fotossíntese

"Em algum ponto, a célula primitiva teve de inventar algo que revolucionou a vida na Terra - a fotossíntese! Os cientistas ainda não entendem completamente este processo, pelo qual as plantas absorvem bióxido de carbono e liberam oxigênio. Trata-se , conforme declara o biólogo F.W. Went, de ‘um processo que ninguém até agora conseguiu reproduzir num tubo de ensaio.’ Todavia, imagina-se que uma pequenina célula simples, por acaso, deu origem a ele. Este processo de fotossíntese transformou uma atmosfera sem nenhum oxigênio livre em uma em que, de cada cinco moléculas, uma é de oxigênio. Em resultado disso, os animais puderam respirar e viver, e foi possível a formação de uma camada de ozônio para proteger toda a vida dos efeitos da radiação ultravioleta”.
A questão até aqui é: como de uma explosão poderia, ao acaso, fazer surgir essa gama de circunstâncias complexas?

3 - A teoria da evolução

Uma das maiores obras científicas de todos os tempos, sem dúvida, é "A Origem das Espécies” de Charles Darwin, publicada em 1858.
A essência dessa teoria é plenamente difundida nas escolas, o que constitui um erro tremendo. Em primeiro lugar, nessa marcante e polêmica obra, Darwin se propõe a explicar como as espécies foram evoluindo até chegar à espécie humana. Supostamente se apoiava em pesquisas e análises de fósseis. Finalmente, quando o livro foi lançado, uma chuva de críticas excomungou a obra, justamente porquê ele se habilita a elucidar sua teoria, e não a faz! O livro basicamente é constituído de suposições e muito “rodeio”, e não há nenhuma sentença científica plausível. Em segundo lugar, tanto obras anteriores à esta como as posteriores continham análises detalhadas de achados arqueológicos, e nessas os fósseis contradiziam totalmente a teoria darwinista. Existem “abismos” entre as espécies, e características congênitas carecem de provas. Não há registro de ligação entre um peixe e uma criatura anterior, da qual pudesse ter evoluído. Eles simplesmente surgiram! Não há nada que explique a transição de um peixe para um anfíbio. Assim como para os répteis, as aves e os símios. E o mais importante: não existe nenhum elo entre os símios e os seres humanos! São espécies distintas e únicas. Não há fosseis que caracterizem e evolução do macaco para o homem (lembra aquela velha teoria, do Homo Erectus, Homem de Neanderthal? ESQUEÇA!).

4 – A complexidade do Universo

Como explicar que o nosso ar tem quantidade necessária de oxigênio para a vida? É comprovado cientificamente que um pouco (muito pouco) a mais de oxigênio nos intoxicaria, e um pouco menos seria irrisório demais para a existência animal.
Como explicar as leis que regem o Universo? Exemplo: para lançar um foguete no espaço, são necessários cálculos, que envolvem invariáveis definitivas e estáveis, como a gravidade, pesos, velocidade média, etc. São tão precisas as leis físicas do Universo, que é possível calcular minuciosamente o tempo de chegada da Terra à lua.
Como explicar que o Big Bang tenha originado compostos orgânicos tão complexos, e edificações naturais, e uma atmosfera inteligentemente composta? Ora, de uma explosão, só resulta destruição (vide as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki). Uma casa é construída por mentes e mãos conscientes. O planeta Terra, infinitamente mais complexo do que uma casa, como poderia ser criado ao acaso, por uma explosão?
Como explicar nossa distância exata do sol, de forma a permitir toda a vida terrena? Estamos situados há cerca de cento e cinquenta milhões de quilômetros do sol. Um pouco mais perto, e o planeta seria um caldeirão, de temperaturas altíssimas (vide Vênus), e um pouco mais longe, seria talvez um bloco de gelo maciço, cheio de gases que inviabilizariam a presença de algo vivo (vide Marte).
Como explicar a quantidade de belezas naturais, de um solo produtivo, de frutos tão saborosos, de tão extensa quantidade de espécies vivendo em harmonia, do instinto, da inteligência, da herança genética...

      A intenção aqui é questionar as pré-suposições já adotadas no intuito de abrir novas portas para a filosofia moderna que ainda se apóia muito na antiga, e que para mim, ainda parece um tanto desengonçada.
Ora...não sou físico...e muito menos Deus. Creio que muitos já se perguntaram o mesmo: tudo tem início e fim, sendo o início surgido à partir de uma matriz, e sua morte uma simples troca de matéria, “animando a natureza sob outra forma” , assim como outrora diziam. Então, tendo estes princípios básicos em mente, já é possível questionar a origem desses gases que geraram um fenômeno orgânico-explosivo. E suas matrizes também, de onde vieram? Não há resposta! A única conclusão que dá para fazer aqui é que um ateu é um ser inconsciente, e, com o perdão do termo, desprovido de inteligência, pois não é possível a natureza criar-se sozinha, assim como um ovo não aparece sem que a galinha o tenha botado (a propósito, a galinha veio primeiro).
E nesse sentido é perceptível a associação que existe entre esses fatos e a existência de um vida maior e suprema, que criou tudo e governa. Não quero também entrar em contextos religiosos, que para mim nada mais são do que ópios, ferramentas ilusórias de ascensão, pois religião não é própria de Deus. Buda não criou o budismo, assim como Cristo não criou o Cristianismo. Seus sectários foram quem o fundaram, no intuito de repassar os ensinamentos já adquiridos. E assim, a decadência da mente perturbada do homem já começou a modificar, a querer brincar de Deus. O que o homem faz é corromper, destruir e multiplicar sem necessidade.
É, tinham razão os que diziam que nós somos seres “dormidos”, inertes em uma vida ilusória, assim como acontece em nossos sonhos à noite. É, pois, a única diferença se faz na consciência lógica, que perde o lugar para a consciência “animal”, quando vamos dormir. Já aqui vamos passar do ponto físico para o metafísico e psicológico. Um animal certamente não notaria o absurdo de um elefante voando, de uma árvore chegando até as nuvens, de formigas gigantes ou de qualquer outra coisa desta espécie. Então, quando dormimos, temos uma consciência semelhante à animal selvagem, semelhante à mente de Adão e Eva antes de comer do fruto do conhecimento, pois em nossos sonhos isso acontece com enorme frequência, e às vezes rimos desses fatos logo que acordamos. Assim como a matéria, espaço e tempo também não tem lógica no mundo dos sonhos. Muitas pessoas dizem sonhar que viveram cinco, dez, cem anos, ou apenas um segundo, que lhe custaram uma noite de oito horas. Ou seja, a nossa mente não atua quando sonhamos, quem o faz é nossa consciência natural, totalmente afastada do nosso conhecimento. O máximo que fazem é usar nossa memória (muitas vezes até de outras encarnações), figuras de nosso passado para constituir novos contextos extremamente estranhos. E quando “acordamos”, ainda assim essa mente estranha atua, como uma corrente infindável que dificulta nossa interpretação da mente sábia. Osho já dizia, que só o que precisamos é dessa consciência “animal”, e que quando mais conhecimento adquirimos, mais dormidos estamos. Concordo em parte...a sabedoria é o que nos difere dos animais, pois assim atribuiu Deus...abrir mão desta mente é algo que, mesmo que fosse possível,iria ser algo contra as regras da vida; o que nos iria diferenciar dos outros animais? O conhecimento nos dá a oportunidade de questionar, aprender, imaginar, raciocinar...e até comunicar...sem essa mente, seríamos irracionais.
O que me é bastante útil são os ensinamentos de Hipócrates, o pensar inicial da meditação, o culto à sabedoria é algo prazeroso, portanto, humano. O prazer é algo humano!
Partindo para o lado cármico ...logo de princípio posso dizer que a reencarnação é uma visão complexa demais para ser debatida em um simples discurso...muitas teorias abordam o assunto de diferentes formas, e contrastam-se opiniões internamente na própria filosofia espiritual do budismo hindu ou do mongol, ou mesmo o zen japonês; os xamãs africanos; o espiritismo tibetano, e o Tao. Só poderemos decifrar os enigmas da pós-vida depois que a vivenciarmos na prática...mas...ora...o que morre afinal? Nada é morte! Tudo faz parte da vida! A vida é uma linha horizontal, cortada no meio, por uma linha vertical que julgam “morte”. Não há como assimilar a "morte" como o fim, pois esta ainda ninguém (”vivo”) conhece. Quando um ser supostamente morre, na verdade, ele apenas deixa seu corpo, que nada mais é que um invólucro temporário, físico, tangente. Sua alma ainda deriva pelo universo, sabe-se lá sobre qual forma, se regular ou não, e com que propósitos.

O fato é que quando temos consciência de nossa existência, passamos a ser acordados, e não mais escravos do mundo ilusório dos dormidos. Assim, mesmo quando o corpo desfalece, nossa consciência ainda toma parte de nossa nova forma. Extraordinário!
Os homens possuem estereótipos que chegam a ser surreais, e por isso mesmo acabam se aprisionando nesse mundo ilusório, empapando-se por completo em pensamentos equivocados, em sua existência disfarçada. Solução: meditação, já diziam muitos budas. Mas não meditar por meditar...a necessidade é de abrir sua mente, abster-se de todo o resto do mundo para aprender mais sobre si, libertando o seu “eu “ natural, deixando que sua consciência humana tenha prioridade, mas tendo como companheiro sua mente natural, que será o maior responsável pelo fato de conseguir acordar (ou não).
A psicologia moderna acredita no poder mental humano, e lhe atribui à causa da realização de nossos pensamentos e objetivos. É algo como “pense fixamente no que você quer. Deseje com toda sua força, e em algum tempo, o terá. Basta querer”. E realmente, funciona assim, mas este ensinamento psicológico deriva da sabedoria de Cristo, ao dizer que a fé do homem pode remover montanhas. E realmente pode. É como uma aura, que todos temos, e nela estão contidos todos nossos sentimentos, todo o bem e mal contidos em nossa alma, chocando-se frequentemente. O lado do bem tenta concretizá-los, e o mal o impede (até com ações físicas!). Ou seja, quando você pensa no mal, já o faz, sua alma já o interpreta, e passa a agir. Se seu desejo é extremamente grande, e você tem domínio sobre seus medos e sobre o mal que inevitavelmente faz parte do ser humano, logo o bem de sua aura triunfará trazendo à tona seus desejos. É como dois imãs de polaridades iguais, se repelindo constantemente. Um deles de repente ganha mais “massa”, e portanto, passa a repelir o outro para mais longe. A aura então pode ser comparada a um campo magnético invisível, intocável, mas existente. E nele se abriga tudo que se pensa. Se pensa para o mal, o lado yang tomará posse, se pensar para o bem, a vez é do Yin. E mesmo sem nos darmos conta, nosso subconsciente está atuando sobre estas duas forças opostas, criando novas armas para o bem e para o mal, mesmo quando se está dormindo, usando de sua mente oculta.
Vou dar um exemplo simples da atuação de forças negativas, cujo simples conhecimento de existência acarretaria muito menos guerras e discussões. Imagine que você está na cozinha, e seu pai, sistemático por default, e maníaco por economia de água, luz e telefone, também. Você está simplesmente tomando água, e ele limpando a mesa. Então ele sai da cozinha, apaga a luz. Você também sai do aposento, simplesmente. Logo depois, seu pai chega e pergunta-lhe o porquê de ter deixado a luz da cozinha acesa. Mas ele havia apagado! E você não a acendeu novamente! Algo se apossou desse recurso, e acendeu a luz, sem a percepção de ninguém, para gerar uma intriga entre você e seu pai! E essa discussão vai tomando novos rumos, até ele te expulsar de casa ou algo do tipo. É, as coisas hoje são exageradas, pessoas são assassinadas por deverem cinco centavos. Então, armado o conflito, você e seu pai nunca irão saber a verdade, que nenhum dos dois havia deixado a luz acesa. Pense bem nisso, e evite muitos conflitos!

Vou deixar-lhes uma “máxima” taoísta, definido como o modo de caminhar:

“Na busca do conhecimento, todos os dias algo é adquirido,
Na busca do Tao, todos os dias algo é deixado para trás.

E cada vez menos é feito
até se atingir a perfeita não-ação.
Quando nada é feito, nada fica por fazer.

Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.
E não interferindo.”

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Declínio Artístico

Arte: "produção consciente de obras, formas ou objetos voltada para a concretização de um ideal de beleza e harmonia ou para a expressão da subjetividade humana". (Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa - 2002)

É angustiante notar como é progressivo o desprezo pela boa arte! A sociedade "moderna" está empanturrada de atalhos, empapada em vícios e esquecida do prazer de outrora em produzir algo para o deleite próprio e dos outros. Grandes gênios em suas áreas estão sofrendo depreciação. É cada vez mais atípica a atenção à obras históricas, em todos os campos da arte, da oratória à música, pintura às artes plásticas, de tal modo que grandes artistas já estão em processo de depressão, uma nova paródia ao "mal do século" que afligia a sociedade do século dezenove.
Mas como algo tão absurdo foi acontecer? É o mesmo que dizer que as pessoas enjoaram de ouro, de diamantes...simplesmente deixar de gostar de algo primoroso é de fato estranho...mas dá pra explicar!
Primeiro é preciso citar a maior vilã do século: a mídia! É ela a responsável por manipular os gostos do povo e gerar padrões a serem seguidos. Apoiados nesse recurso, surgiram novos modos de se produzir "arte" - aqui, já deturpada em seu teor. Pessoas sem talento algum começaram a buscar espaço nos campos artísticos, com única finalidade de lucrar. Desses indivíduos nasceram modificações de consagrados estilos. Do Jazz veio o samba - até aí, all right; e depois, o pagode. Do Blues veio o Rock n' Roll, e depois, o Punk Rock. Do Modernismo, vieram o Cubismo, e em seguida o Dadaísmo. Do piano acústico vieram os sintetizadores, e depois os equipamentos de techno-"music"(todos esses terceiros citados são o que costumo chamar de lixo cultural).
Como músico, posso dizer que o funk, pagode, o sertanejo, o rap, o techno, o punk-rock, entre outros, são criações (na maioria das vezes!) de pessoas com necessidade de fama e dinheiro, mas sem talento artístico. Com observação da verdadeira e primeira arte, criaram o fácil inspiradas no complexo (o que chamo de atalho!).
Atenção: cito aqui os estilos já consolidados por conta da publicidade exacerbada da mídia! Todo estilo tem sua graça, e muitos músicos e técnicos de ótima qualidade o produzem...mas o erro foi imaginar que estes deveriam substituir a velha e boa arte. Veja só o que eu digo: você NÃO pode ouvir Jazz, Fusion, Rock Progressivo, Blues, New Age, Erudito, Country, Metal Neoclássico, Folk e instrumentais variados em uma rádio popular. Por isso, grande maioria das pessoas sequer sabem o que são esses gêneros musicais. Estão "presas" às torrentes de porcaria que a mídia empurra - falo também de televisão, revistas, internet. E mesmo quando têm oportunidade de se deparar com a verdadeira arte, acabam na maioria das vezes desprezando-a, achando loucura...natureza humana: temer/desprezar o desconhecido!
Sendo mais radical, gostaria de mudar o significado de música, para resgatá-la enquanto arte, de forma a coibir a evolução dessa repugnante monomania de insistir na divulgação do que não é arte! Aplicaria a idéia de que algo, para ser considerado música, precise atender aos seguintes requisitos:

1 - Possuir harmonia, melodia e ritmo (já aplicado);

2 - Poder, de forma integral, ser anotado em partituras, com diferenciações timbrísticas em notações separadas, provenientes de variados instrumentos - e também na totalidade de áudio monofônico;

3 - Os compositores necessariamente deverão compreender o mínimo de teoria musical, em seus conceitos básicos (se a produção for mesmo música, os criadores são músicos!); e

4 - Os sons deverão partir de instrumentos acústicos, elétricos ou eletrônicos, desde que cada nota em sua estrutura física possa ser explicada.

Com esses requisitos preenchidos, o áudio se enquadraria na categoria artística "Música", ganhando o direito de circular nos veículos de mídia. Caberia à ABM e as gravadoras o monitoramento dessas regras. Com isso, estariam abatidos, definitivamente, o rap, o techno, o dance e o funk (não o Funky, que é o pai do ritmo!). Infelizmente ainda poderão existir outros gêneros, que sim, são música, mas extremamente pobres (técnica e harmonicamente falando). Não seriam abolidos estes citados, podendo ainda circular em CD's de forma livre, em discotecas, bares e eventos, do mesmo modo que hoje é, apenas proibidos de serem reproduzidos em canais de difusão musical. Ou seria o mesmo que vender carne em farmácia, e tratar lesões físicas em clínicas psiquiátricas.
Uma solução à curto prazo para esse crescente empobrecimento cultural é, sugiro eu, que haja uma separação ciclópica entre arte e produção. A produção tem fins meramente lucrativos, que exploram as enormes fendas do capitalismo para existir. A arte é criada pela necessidade do autor em representar sentimentos e situações, com intenções primárias. Vendê-la é mera consequência.
Uma magnífica obra como Mona Lisa de da Vinci, Marabá, de Rodolfo Amoedo; um clássico como a vigésima quarta caprice de Paganini, a Starway to Heaven do Led Zeppelin ou a perfeita Jade, de Mauro Senise (obra primordial!); uma literatura de aventura como Kim, de Rudyard Kipling, Dom Quixote, de Cervantes, A Odisséia de Homero, ou Robinson Crusoé de Daniel Defoe, e O Alienista de Machado de Assis; ou mesmo a maestria obra de Michelângelo esculpida nas igrejas, ou da oratória, representada por Platão, Lênin, Cícero e tantos outros...não podem ser esquecidos!
Pop (do inglês, significa "estouro", ou mesmo uma onomatopéia universal) dá uma perfeita analogia à bolha de sabão...rapidamente estoura, e desaparece - um "hit" de forró, pagode ou sertanejo surge e não dura mais do que um ou dois anos. Uma obra erudita como a quinta de Beethoven permanece para todo o sempre. Taí a diferença!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Philosufismo





 Porquê "philo" ?

    Do latim philos "amigo, amante". Geralmente aplainado ao sufixo sophia (conhecimento saber), significando amor pelo conhecimento, cobiça pelo saber.

 Porquê "sufi" ?

    Do sufismo, corrente mística do islão, que tem por objetivo uma relação direta com Deus através do desapego à tudo que é material e da extinção da dualidade semiótica. Através de cânticos e danças, os seguidores procuram o estado de êxtase como forma de facilitar o contato com o mundo transcendental. Abstém-se de qualquer religião - ópio que cega a fé; e é o método mais puro de vida de que se tem conhecimento.

 Porquê "philosufismo" ?

    Unindo os dois termos, procurei clarificar a idéia do amor à natureza, ao Deus puro, a verdadeira sabedoria e ao mais puro método de conhecimento. Também desassociei o termo "sofia"- ou sophia, que nada mais é que um sofisma (ilusão lógica) perigoso, por ter o poder de manipular os conceitos humanos e torná-los paradigmas.
    A verdadeira intenção da velha filosofia é afirmar ainda mais o estado "catacrético" dos seres. Platão, Sócrates (cuja existência é questionada), Heráclito... todos estes foram homens de grande inteligência, que contribuiram consideravelmente para o desenvolvimento da filosofia. Mas (com ênfase) não passaram de homens "dormidos", que buscavam o saber através de signos supostamente ocultos aos olhos de pessoas comuns. Como?
    Explico: é natural o homem possuir o desejo de definir e explicar tudo que acontece a sua volta. Pessoas "comuns" simplesmente seguem as ideias já produzidas, contentando-se com o mínimo do conhecimento, sem questionar nada. Os antigos filósofos (maioria) quebravam essa sina, questionando as verdades intrínsecas (até então), questionando as pessoas, questionando a natureza, questionando até mesmo as questões. Inovavam através de discursos prolixos os campos da cosmologia, da antropologia, da teologia, da política. Enaltecidos pelos ouvintes, disparavam torrentes de críticas ao pensamento de outrem, e apregoavam as boas novas ditando novas verdades que perdurariam por séculos.
    O erro: O maior erro que a filosofia já cometeu é creditar a noção de verdade ao meio externo, quando é justamente o contrário: a verdade é interna, parte de nós, não vem até nós! À partir desse ponto, todo o discurso subsequente é um passeio no parque!
    Provavelmente já lhe aconteceu, ao tentar resolver uma expressão matemática, chegar a um resultado e perceber que está errado. Então, procurando o origem do erro, chega-se no princípio dos cálculos, e descobre que o problema é um sinal positivo que deveria estar negativo, ou mesmo um número que esqueceu de somar, e este pequeno erro afeta todo o restante do cálculo. Pois bem, é isso que acontecia aos pensadores: partiam do erro, logo tudo que viesse à seguir estaria errado!
    Por isso postergo a antiga filosofia. Não menosprezo-a, mas gostaria que você passasse a ter o direito de possuir o verdadeiro conhecimento.
   Não sou eu a verdade! Esqueça tudo que viu e ouviu até hoje, o verdadeiro conhecimento está em você mesmo! Conheça-se, elimine do seu corpo a toxina implantada pela sociedade; perceba a presença de um espírito puro dentro de si! Esqueça a religião, o cristianismo, o evangelismo, o islamismo...crie sua religião, apoiada somente na sua fé! Busque a união com a natureza, oriente-se por seus próprios princípios!

    Este blog visa a discussão de diversos temas, de política à literatura, da ciência ao espiritismo, do capitalismo ao socialismo, da oratória à música; da arte, enfim!
    Aqui é um espaço aberto para quaisquer comentários.
    Pergunte, critique, acrescente, contribua para o desenvolvimento dessa nova corrente!
    Dissemine o philosufi (philosufismo) para seus próximos.
    Essas são as boas novas!